Vamos falar sobre diabetes? A convidada da live de hoje é Viviane Sahade, que trabalha com diabetes e doenças cardiovasculares, é nutricionista, doutora em medicina e saúde e mestre em epidemiologia clínica, e vai tirar todas as dúvidas sobre a diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, diabetes infantil, o diagnóstico e os tipos de tratamento para a diabetes. 

O que é a diabetes tipo 1?
Diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, ou seja, não é adquirida nem herdada. Acontece quando seu organismo, por alguma razão ainda desconhecida, desconhece as células beta do pâncreas que são responsáveis pela produção de insulina. O organismo então, por não reconhecer mais essas células, começa a produzir anticorpos que vão destruir as células beta, porque acha que são invasoras. Por isso, os sintomas do diabetes tipo 1 são agressivos, é, por exemplo, aquela criança que de uma semana para outra apresenta muita sede, urina muito, come devastadamente, e aí a necessidade da insulinização. O diabetes tipo 1 tem maior incidência em crianças, podendo também ocorrer na adolescência e em poucos casos em jovens adultos.

O que é a diabetes tipo 2?
Na diabetes tipo 2 existe um componente hereditário forte, mas também existe a obesidade que é o principal fator que contribui para o desenvolvimento da diabetes.

O que é insulina?
Insulina é o hormônio responsável por colocar o açúcar dentro da célula.

Como a obesidade causa diabetes?
Quem tem diabetes tipo 2 produz insulina em alta quantidade como qualquer organismo, mas o excesso de ácido graxo (gordura) no corpo não permite a insulina fazer seu papel de se agarrar a glicose. E então nos exames sai glicemia e insulina alta. Ao emagrecer, a pessoa “abre espaço” para que a insulina possa circular no corpo sem o bloqueio que a gordura causa.

Qual é o tratamento para a diabetes tipo 2?
Tem que promover a perda de gordura, além da medicação. O paciente tem que entender que não é só tratar daquela doença, e sim do “combo” dos fatores de risco para outras doenças, como as cardíacas. Então, é necessário minimizar esse risco através da alimentação e do exercício físico.

Porque o exercício físico é tão importante para quem tem diabetes?
Muito importante tanto para quem tem diabetes tipo 1 como para quem tem tipo 2. O exercício físico funciona como uma insulina que “vem de fora”, porque potencializa seu corpo a ficar mais sensível à insulina, porque o músculo fica ávido por glicose. Então, quem tem diabetes tipo 1 e toma insulina antes de fazer esporte, tem que tomar cuidado para não ter uma hipoglicemia. É preciso fazer o ajuste da dose de insulina com a quantidade de carboidrato que vai ingerir.

Qual é o tratamento para a diabetes, pré-diabetes e pessoas resistentes à insulina?Existe um tripé que é importante ser seguido: boa alimentação, exercício físico e medicação. Independente do tipo de diabetes, devemos lembrar a esse indivíduo que ter diabetes não significa que ele está doente, e sim que tem uma doença crônica, mas que pode ser equilibrada através da auto responsabilidade e da medição da glicemia. Não é uma permanente condição de paciente e isso é uma mudança de mentalidade. Quem mais me dá trabalho são as pessoas com diabetes tipo 2 que tomam o comprimido e não medem a glicemia porque são assintomáticos. O diabético tipo 1 por usar a glicemia todo dia, ele precisa se automonitorar, ele é obrigado a entender a patologia dele e cria-se a disciplina.

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A medição da glicemia em jejum e antes e depois das refeições é o melhor método para conseguir controlar a diabetes.

Qual é o público que tem mais tendência a diabetes?
Não tem diferenciação no gênero, homens e mulheres têm igual, apesar das mulheres se cuidarem mais. Em relação a idade, a tendência é que ao envelhecer existe o fato de ganho de peso e também a baixa de produção de insulina do corpo que é natural.

Qual é a relação da esteatose hepática com a diabetes tipo 2?
A esteatose é o acúmulo de gordura do fígado e bloqueia a ação da insulina que o corpo produz. Acontece com quem ingere muita bebida alcoólica, mas também existe a esteatose não alcoólica. O tratamento consiste em diminuir essa capa de gordura do fígado para que a insulina possa agir.

Quem tem diabetes pode comer carboidrato?
O indivíduo diabético tem pânico do carboidrato, mas não devemos crucificá-lo, inclusive não proibo nenhum tipo de carboidrato aos meus pacientes. Devemos orientar o paciente a corrigir a hiperglicemia e não proibi-lo de comer, pois a pessoa fica privada, pode gerar compulsão e acaba comendo escondido, então tem que criar o equilíbrio. Existem carboidratos de digestão rápida que vão elevar a glicemia rapidamente e outros mais tardiamente. É importante medir a glicemia antes de uma refeição para poder compensar esse carboidrato.

Qual é a alimentação ideal para um indivíduo diabético?
É possível comer de tudo, sem exagerar em nada. Você pode comer pinha, mas não pode comer três pinhas em uma sentada. Comer é prazer, sentar-se à mesa é celebrar, não dá para o momento da refeição virar um estresse. É preciso estar acompanhado de um profissional que passe tranquilidade, segurança e otimismo para essa família. Um tratamento bem feito faz o indivíduo ter uma vida normal. Para diminuir a absorção rápida de um carboidrato, você pode misturar com outro alimento, como uma proteína, leite, aveia, granola sem açúcar, castanhas, etc.

Como lidar com crianças com diabetes?
É preciso ter uma alimentação igual a de uma criança que não tem diabetes, ou seja, não é pra dar biscoito e porqueira toda hora, mas não pode lidar sem tanto rigor, por exemplo quando for em um aniversário de um amigo e poder comer um pedaço de bolo. É preciso assimilar a quantidade de carboidrato, que é essa metodologia do cálculo.

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Nada adianta ter “a melhor insulina” se não entender como ela age no seu corpo. Se conheça para saber como o seu organismo responde aos diversos estímulos.

Qual é a diferença entre índice glicêmico e carga glicêmica?
O índice glicêmico é a velocidade que o alimento tem de elevar a glicemia, comparado a um padrão. Então, se um alimento eleva a glicemia mais devagar, é considerado bom, e se eleva rápido, como o mel, diz-se que não pode comer. Mas aí entra as frutas, como banana, uva e melancia, que tem um índice glicêmico alto e os diabéticos acham que não pode comer e acabam tendo uma dieta apenas de folhosos e proteína, tipo uma dieta low carb, que desequilibra o corpo todo e gera estresse na pessoa.

A carga glicêmica é a ideia que mede a quantidade com velocidade de absorção. A melancia tem índice glicêmico alto, no entanto se o indivíduo não comer uma melancia toda, vai comer uma fatia. Então, medimos quanto tem de carboidrato nessa fatia e encaixamos dentro da dieta que está planejada, alterando uma coisa ali e aqui, e isso extingue qualquer proibição na dieta. A mesma coisa com alimentos refinados e integrais. 

Quais são os mitos da diabetes?
Que não pode comer nada que cresce debaixo da terra, como cenoura, batata-doce, mandioca. Que não pode comer pão francês branco ou que o pão do dia seguinte não faz mal.

Qual é o adoçante ideal para o diabético?
Aqui no Brasil são liberados 7 tipos de adoçantes, existem os naturais e os artificiais. Estevia, xilitol e eritritol são os naturais, que damos a preferência, mas tem que respeitar a dosagem da embalagem, não é porque é natural que pode comer em excesso, Xilitol demais causa diarreia, por exemplo. Não recomendo o aspartame, principalmente para crianças. Se você se acostuma a se alimentar sem adoçar, isso é o ideal. E se você adoça com 5g de açúcar, não é isso que vai fazer sua insulina aumentar além da dose.

Como saber se estamos diabéticos?
Um dos primeiros sintomas é medir a glicemia em jejum (tem que estar abaixo de 100), dosar a insulina ou fazer um teste glicêmico. O pré-diabético é aquela pessoa que está em cima do muro, com glicemia de 100 a 125, acima de 125 em jejum você já está com diabetes. A hemoglobina glicada é o exame que mede sua glicemia nos últimos três meses, que tem que ser menor do que 5.7. Se medir de 5.7 a 6.7 você está com pré-diabetes, e acima de 6.7 a diabetes já está instalada.

O estresse aumenta a glicemia?
Sim, o cortisol faz a glicemia aumentar. Então é preciso que a diabetes não seja um fator de estresse.

O jejum intermitente é bom para o diabético?
O jejum é uma ferramenta que o nutricionista pode lançar mão para ajudar a pessoa a perder peso. É uma estratégia pontual que deve ser feita em um intervalo de tempo pequeno. Só pode ser feita em adultos. O risco de hipoglicemia com jejum intermitente em uma pessoa com diabetes tipo 1 ou 2 é alta, então não prescrevo isso para quem não faz nenhuma contagem e não sabe corrigir sua glicemia, porque como médica posso propiciar uma piora. Esse protocolo de jejum intermitente tem que considerar a fisiologia do indivíduo, porque às vezes ele passa mal se ficar 16 h sem comer.

A dieta low carb é boa para o diabético?
A ingestão abaixo de 55% de carboidrato já significa que é uma dieta low carb. Já a dieta cetogênica, que é uma restrição severa de carboidrato, é contraindicada para indivíduos diabéticos tipo 1, principalmente em crianças e adolescentes. Mas para quem tem excesso de peso é bom, mas é muito importante fazer a medição da glicemia sempre.

Como orientar a família para lidar com pessoas diabéticas?
Muito além de ficar controlando o que o diabético comeu ou deixou de comer, é importante medir a glicemia dessa pessoa, principalmente em jejum e após o café da manhã, para termos um parâmetro e podermos orientar melhor esse paciente, senão fica o médico e o paciente à deriva.

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